Ter um filho gay é mesmo estranho. Eu já levava a vida de certa forma analisando tudo, por conta de ter feito 2 anos de terapia, mas depois daquela noite de quinta-feira tudo mudou. Terei que falar sobre isso anonimamente, pelo simples fato de que preciso esperar meu marido aceitar que temos um filho gay. Mas na noite de quinta-feira, dia 29 de maio de 2008, eu, no mínimo, parei e passei a pensar no que realmente importa nessa vida. Eu sou uma pessoa melhor desde esse dia. É estranho ter que conviver com essa realidade. Mas eu sou uma pessoa melhor porque tenho um filho gay. Vou explicar para quem não sabe. Mas com um parênteses. Vou explicar da forma que entendo. Vou explicar como explico para as minhas amigas. Vou explicar para eu poder entender e interiorizar, diminuindo inclusive o meu preconceito e contribuindo com a minha aceitação desse fato. A homossexualidade sempre existiu. Como diz uma das minhas "gurus" do GPH (depois eu explico o que é o GPH) era um mundo paralelo, que existia ao meu lado mas que eu não enxergava. Meu filho é
gay. A filha dessa minha "guru" é
lésbica. Tem mãe que tem um filho
bissexual. Tem mãe que tem um filho
travesti. Existem pessoas que são
transexuais. Além deles têm os intersexuais (denominação que coloca em desuso o termo "hermafrodita"). Daí vem a sigla GLBTT. Mas depois eu explico melhor tudo isso. Já disse que sou uma pessoa melhor. Isso é a minha vida. Ser uma intrépida mãe é o meu destino desde que aos 13 anos fiquei grávida desse meu menino, que há quase um ano me disse mãe eu fiquei com um menino, estou gostando dele, e a gente está namorando. Muita coisa já vivi e encarei de frente. Confesso que muitas vezes sem pensar muito pelo simples fato de que não podia parar para pensar. Não tinha como fazer isso. A vida me cobrava, jogava os desafios na minha cara dizendo vai e faz acontecer. E assim foi. E assim está sendo. E assim para sempre vai ser. Às vezes brinco com as minhas amigas e amigos que eu gostaria de ser uma "Patty fútil" que não precisa se preocupar com mais nada a não ser ir no salão de beleza, na academia, no shopping, curtindo a vida numa boa. Para mim isso é impossível. Alguma coisa dentro de mim faz com que eu queira fazer a diferença na vida de quem me cerca, pois é muito forte o meu lado mãe. Estou sempre querendo ajudar, mesmo que não me peçam. Por vezes crio desafetos momentâneos por falar demais, me intrometer demais, por ficar fazendo analogias ilustrativas que façam pensar, com o objetivo de desconstruir preconceitos. Faço isso para os meus filhos e pelos meus filhos. Faço isso porque quero viver num mundo melhor, mais justo, mais tolerante, com mais amor. Se foi o fato de que tenho um filho gay e que sofre com a discriminação que me fez parar para pensar, refletir, mudar, isso não importa. Dar o primeiro passo é meu início dessa caminhada eterna. Quero continuar crescendo, apreendendo e ajudando.
5 comentários:
Olá, Intrépida Mãe... Cheguei aqui através do comentário que a sra fez no bloglog do Jean Wyllys!!!! Sou um INTRÉPIDO FILHO... Só que minha mãe não é, ou não foi, TÃO intrépida assim!!!!!!!! Pena, muita pena mesmo! PRA ELA!!! Porque pra mim, principalmente pq não sou mais um adolescente (como presumo que seja seu filho), está tudo ótimo! Pior pra ela, infelizmente! Mãe, A-M-E seu filho!!! Ame-o MUITO!!! Não brigue com ele! Ele será o MAIOR filho do mundo com o seu AMOR de MÃE! É claro que nos dias de hoje é preciso tomar-se cuidados extras pois a coisa não tá fácil... PRA NINGUÉM! Até pra quem não é LGBT!!! Mas tenho certeza que com o seu AMOR de mãe intrépida dentro do coraçãozinho dele, ele se cuidará muito mais que a sra pode imaginar! E sempre voltará pra casa pra te dar aquele bjão de filho!!! Às vezes, na manhã do dia seguinte... Mas, o importante, é que voltará... Encha-o de AMOR!!! E pronto... Fique com Deus, Mãe! Esse é um recadinho de um filho... Inrépido Filho...
Ai quanta honra, Intrépido Filho, por ser o primeiro a comentar no meu blog! Tente imaginar o quanto eu fiquei feliz meu querido! Podemos ser amigos se você quiser!
Primeiro não precisa me chamar de senhora, pois sou uma jovem mãe. Meu filho nasceu quando eu tinha 14 anos e hoje ele está com 18. Estou aqui por ele, para ajudar com a EXTINÇÃO do preconceito, pois só assim você poderia ter a sua mãe por perto, se ela pudesse levantar a cabeça e dizer sim meu filho é gay, e daí? O que você tem com isso?
Muito lindo o que você escreveu, cheio de amor, de bondade, escreva para o meu email, vamos manter contato? intrepidamae@gmail.com
Muitos beijos, Filho!
Puxa, Mãe... Que bom que gostou do meu singelo recadinho! Apesar de já ter conquistado outras mammas por aí ao longo da minha INTRÉPIDA trajetória nessa vida (minha mãe biológica - nada intrépida, lembra? - JAMAIS foi conquistada) há muito não ouvia tão belas palavras de aprovação quanto as tuas... Seu e-mail já está guardadinho aqui comigo mas enquanto só estivermos nós por aqui, vamos nos 'acarinhando' por aqui mesmo! Um bjo, Mãe, fique na paz de Deus! Um Inrépido Filho...
Mocinha vc se superou, adorei, Marisinha
a cada post
vc me surpreende
estou seguindo vc
pra saber das atualizações sempre
continue nessa jornada
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