Eu penso que ter tido a oportunidade de educar meus filhos foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. E ainda está sendo. Meu menino e minha menina serão por mim para sempre, ou, melhor, enquanto vivermos. Sinto isso, não precisa ser dito. Quando falam que não se pode ser amigo dos filhos, que pai e mãe devem manter um certo distanciamento e não conversar sobre tudo com os filhos, confesso que sinto uma certa maldade nisso. Coisa de gente que não consegue sentir esse amor espontâneo. Coisa de gente que não se permite, que se esconde, que se justifica o tempo inteiro.
Como não conversar sobre tudo com eles? Amo, apaixono, fico fitando eles sem desgrudar os olhos quando vêm me contar alguma coisa, seja dos namorados, seja dos ficantes, seja dos amigos, da escola, da faculdade, dos professores, simplesmente fico em êxtase por poder ajudar e aconselhar. Quero pegar no colo, cuidar. As vezes penso e converso com amigas e com o marido, que como não tive isso, não tive nem de perto essa proximidade com os meus pais, de alguma forma compenso por eles, agindo como eles não agiram comigo.
Fui criada no grito e com uma barreira intransponível entre mim e minha mãe, entre mim e meu pai. Minha mãe, quando vem ao meu encontro quando chego na casa dela, não me olha nos olhos. Isso me arrasa. Eu já aprendi a perdoa-la, por ela ser assim, justificando que o pai e a mãe dela foram assim com ela e portanto ela não aprendeu. As vezes adianta. As vezes não. Com meu pai também foi assim, com o agravante de minha mãe o ter afastado de mim e dos meus irmãos, pintando ele pra gente como um monstro. Quantas brigas presenciei, vendo meu irmão, um ano mais novo, gritando agarrado as pernas do pai e dizendo não, por favor não vá embora. Hoje sou mais mãe do que filha deles.
As vezes brinco com meus colegas e amigos me perguntando poxa, porque não nasci neta da Lia Luft, ou filha da Guru Marise? Eu faço diferente do que vivi, talvez hoje em dia, pois claro que no início do meu relacionamento, novinha, imatura, influenciada pela minha educação extremamente machista, também briguei na frente deles, também os afastei do pai deles, também fui submissa, também fui uma mãe e esposa mártir e sofredora, que só sabia reclamar. Eu vivi durante anos o modelo herdado da minha avó materna e da minha mãe. Sofri. Custou. Repeti o que era melhor pra mim inúmeras vezes, tentando sem desistir. Interiorizei. Mudei. Tive outras mães pelo caminho da vida. Amigas mães. Tias mães. Marido mãe. Filhos mãe também, e nossa!, todo dia aprendo com eles!
Será que é tão difícil o caminho do coração, esse que usamos todo o dia lá em casa? O caminho do meu é meio tortuoso, meio teimoso querendo se desviar e com algumas pedras rancorosas. Uma dificuldaaade para aceitar um pedido de desculpas? O do maridão é uma serra ensaboada, um tobogã, mas que tem uma porta de madeira, com algumas coisas que entalharam nela e meio pesada pra empurrar. O dos filhotes acaba pegando um pouco do jeitão da gente de tanto passar por esses dois caminhos. Mas estão em obras, moldando com seus operários, e tratando de cuidar do deles. Sabe que nossas obras de reparos começaram há um tempo também? Complicado, mas não impossível. E os filhotes estão sabendo ser pacientes e vibram (embora não divulguem) com cada pedacinho reparado dos caminhos. Contrataram umas equipes boas pra ajudar.
Já disse que amo vocês hoje? Não?! Então, eu te amo.
Memória e (res) sentimento
Há 16 anos
2 comentários:
Dos amigos aceitamos muitas coisas que ditas pela cboca da mae nao sao aceitas, mesmo que seja a mesma coisa, por isso acredito que as pessoas dizem que nao somos amigos somos maes, pq eles precisam do conflito para crescer (nós tambem)e esse conflito se da conosco e nos é que temos que alumiar a estrada pra eles e quem alumia é quem indica o caminho, dai que ser amigo, só amigo compliiiiicaaa, bjs querida to adorando isso aqui
Mãe, só hoje depois que você ligou pedindo minha ajuda eu vim ler o seu blog.. desculpa :/
Não preciso nem dizer que eu amei tudo que li, né?
Você é sensacional, fofa. E eu sinto cada vez mais orgulho de ser seu filho.
Amo MUITO você, beijo!
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