quinta-feira, 30 de abril de 2009

Se descobrindo...

Olá queridos..
Queria falar um pouco sobre a descoberta da sexualidade, pois conversando ontem com o meu filho sobre o seu namorado e sobre suas vontades e desejos, acabamos falando sobre as diferentes formas de se perceber diferente, ou melhor, os diferentes tempos de se descobrir diferente. Pode acontecer no final da infância, como foi com ele, pois se percebia diferente dos colegas da escola já depois dos seus 10 anos de idade. Acabou não tendo nenhuma experiência, penso que por não ter tido oportunidade. Outros percebem seus desejos na adolescência e tratam de buscar o seu caminho como podem: talvez negando, talvez vivenciando, talvez correndo riscos, talvez se escondendo.
Meu filho me pediu para fazer terapia quando tinha 13 anos. Ele mudou de colégio com essa idade e sofreu muito com a conquista de novos amigos e com as implicâncias dos não tão amigos. E ela era de poucos amigos, sempre foi, desde a infância. Ele me disse: quero entender o porquê sou diferente dos outros, porque não gosto de futebol, quero saber porquê minha cabeça é assim, porque tenho esses pensamentos. Alguns anos antes, ele visitou sites de pornografia masculina, escondido, mas vimos no histórico do navegador. Conversei com ele numa boa, mas não queria acreditar, então "concordamos" que era porque ele estava entendendo como as coisas funcionavam. Passou. Ele nunca ficou com nenhuma menina até hoje. Quando contou que era gay me disse: mãe, você precisa ficar com mulher para saber que não gosta? E foi assim, simples, ele nunca ficou com mulher e diz que nunca vai ficar.
Já com outros jovens pode ser diferente, pois cada um tem o seu tempo. Tenho um amigo que chegou a noivar, mas com 29 anos disse para a moça que não queria mais engana-la e nem enganar a si próprio, então assumiu a sua homossexualidade e hoje é casado com seu companheiro há mais de 10 anos.
Entender e aceitar o modo que cada um escolhe, ou que a vida determina, para ser feliz é uma tarefa nada fácil, pois o estranhamento que não conseguimos evitar quando vemos uma troca de carinho entre pessoas ditas diferentes é comum a todos nós. O que pode acontecer é que nos obrigamos a olhar, e nos acostumamos. Seja pelo amor aos nossos filhos, seja pela convivência tolerante com algum colega, seja pelo respeito às individualidades de cada ser humano, seja pelo espaço que também é do casal de lésbicas na mesa do restaurante. Cada um sofreu e sofre as delícias e amarguras de uma sociedade que cada vez mais convive com a diversidade. Cada um a seu tempo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Não sei ainda como fazer para esse blog dar certo. Bom, mas o que seria dar certo nesse caso, é que eu queria que ele fosse LIDO, e além disso eu queria poder AJUDAR quem lê. Minha vontade é atingir os jovens que sofrem com a discriminação, os adolescentes no início do processo de aceitação da própria sexualidade. Como fazer isso? Comecei a pensar e lembrei de um amigo que entende HORRORES de internet. Conversei com ele e peguei algumas dicas.. é que com esse tal de google, hoje as pessoas acessam e procuram tudo nesse talzinho. Aí, eu vou precisar de ajuda, pra saber de que forma os adolescentes buscam informações na internet e poder nessa hora atingi-los. O que eles digitam para buscar ajuda para si próprios e para os pais e familiares? O que eles procuram na net quando se percebem diferentes dos amigos? Foi essa dica do meu amigo, procurar saber quais são as palavras ou frases que eles digitam para buscar ajuda, quando na frente da tela do computador se encontram, no seu mundinho, sem saber para onde ir. Sou gay e agora? Estou apaixonada por uma amiga, o que faço? Sou lésbica, e agora? Me lembro o tanto que eu chorava nessa época, quando não sabia para onde ir e o que fazer, há 20 anos atrás, sem internet para buscar ajuda, sem ter com que conversar e me abrir. Como eu ia dizer assim ó: sou mãe, tenho 14 anos, o pai do meu filho é outra criança, o que faço da minha vida, pois minha mãe não me apoia, só me critica, me prende em casa, só briga com meu pai, minhas amigas são todas maluquetas, na escola sou apontada, a família do meu namorado também é toda virada,... o que faço? Aí, eu paro para pensar no meu filhote quando tinha essa idade e me parte o coração, me dá um aperto no peito.. Pois pensem comigo, ele sofrendo bowling, os amigos xingando de viado, bicha, gayzinho, e como ele ia chegar em casa e contar isso para mim e para o pai dele? Eu ia dizer: e você é filho? Como seria nossa reação? Como ele iria se explicar se o pai e a mãe dele não iriam ouvir com naturalidade, pois não conheciam a homossexualidade, e o que sabiam era o que ouviam por aí, que gay é tudo igual, tem traveco, tem bicha louca, é tudo safadeza? Não sabiamos de nada. Ele contou que era gay quando viu que poderia aguentar o tranco, que estava forte e convicto do que queria. E eu, agora estou lendo e aprendendo sobre a homossexualidade, e também sobre a bissexualidade, sobre o preconceito, sobre sair do armário.. Pensando nisso penso em poder ajudar. Vou aprender e fazer, podem aguardar.