sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Novo blog!

Oi queridos!
Me mudei para intrepidamae.wordpress.com.

Beijos e vamos para lá!

domingo, 7 de junho de 2009

Você consegue, você pode fazer, não deixe passar. Engate uma terceira marcha e acelere um pouco mais. Não fique dando desculpas, erga essa cabeça e encare a sua vida. A vida é só essa! Até que se prove, você não vai voltar para refazer, consertar, pedir perdão, oferecer ajuda, amar.

O que você está fazendo com a sua vida? Pensa que daqui a alguns anos fará diferente? Não fará! Faça agora! Viva o presente. Tem alguém precisando do seu sorriso? Você magoou alguém? Na esquina encontrou uma pessoa que te olhou atravessado, que não te cumprimentou, ou te olhou de cara fechada? Então faça diferente. Você não tem poder sobre as ações dos outros, mas tem poder sobre as suas. Ofereça um sorriso sem esperar retribuição. Por que você não pede perdão pelo que fez? Olhe nos olhos. Diga que está arrependido. Cumprimente com um "bom dia" mesmo sem esperar o retorno. Olhe para as pessoas com um sorriso nos lábios. Faça por você, sem esperar nada em troca.

Você é um ser único e merece a felicidade. Compare a vida com um piso de lajotas, e que você precisa pisar em todos para poder caminhar. Imagine que cada lajota dessas é alguém com quem você convive. Uma delas é a sua família, seu pai, sua mãe; seu filho, sua filha; seu irmão, sua irmã; uma tia querida; um sobrinho amado. Outro ladrilho é o seu amigo, suas amigas. Tem a lajota do seu trabalho, com o seu dia-a-dia, seus colegas, funcionários, chefes, clientes, fornecedores. Uma dessas lajotas é a sua saúde física. Outra é a sua saúde mental, estar bem consigo mesmo, fiel aos seus princípios. Imagine-se sem uma delas, sem poder pisar na lajota que estão os seus amigos. Você vai acabar caindo sem poder contar com esse passo. É assim a nossa vida, nós precisamos pensar que para essa caminhada ter um belo trajeto esses ladrilhos precisam estar todos ali, e que se algum deles faltar, teremos o outro para nos apoiar.

Você é o único responsável pelo seu caminho. As lajotas lhe oferecerão apoio mas você precisa atentar para que todas estejam ao seu redor. E estão? É a sua vida! O que você está fazendo com a sua vida?

Um lindo e maravilhoso dia pra você!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Se descobrindo...

Olá queridos..
Queria falar um pouco sobre a descoberta da sexualidade, pois conversando ontem com o meu filho sobre o seu namorado e sobre suas vontades e desejos, acabamos falando sobre as diferentes formas de se perceber diferente, ou melhor, os diferentes tempos de se descobrir diferente. Pode acontecer no final da infância, como foi com ele, pois se percebia diferente dos colegas da escola já depois dos seus 10 anos de idade. Acabou não tendo nenhuma experiência, penso que por não ter tido oportunidade. Outros percebem seus desejos na adolescência e tratam de buscar o seu caminho como podem: talvez negando, talvez vivenciando, talvez correndo riscos, talvez se escondendo.
Meu filho me pediu para fazer terapia quando tinha 13 anos. Ele mudou de colégio com essa idade e sofreu muito com a conquista de novos amigos e com as implicâncias dos não tão amigos. E ela era de poucos amigos, sempre foi, desde a infância. Ele me disse: quero entender o porquê sou diferente dos outros, porque não gosto de futebol, quero saber porquê minha cabeça é assim, porque tenho esses pensamentos. Alguns anos antes, ele visitou sites de pornografia masculina, escondido, mas vimos no histórico do navegador. Conversei com ele numa boa, mas não queria acreditar, então "concordamos" que era porque ele estava entendendo como as coisas funcionavam. Passou. Ele nunca ficou com nenhuma menina até hoje. Quando contou que era gay me disse: mãe, você precisa ficar com mulher para saber que não gosta? E foi assim, simples, ele nunca ficou com mulher e diz que nunca vai ficar.
Já com outros jovens pode ser diferente, pois cada um tem o seu tempo. Tenho um amigo que chegou a noivar, mas com 29 anos disse para a moça que não queria mais engana-la e nem enganar a si próprio, então assumiu a sua homossexualidade e hoje é casado com seu companheiro há mais de 10 anos.
Entender e aceitar o modo que cada um escolhe, ou que a vida determina, para ser feliz é uma tarefa nada fácil, pois o estranhamento que não conseguimos evitar quando vemos uma troca de carinho entre pessoas ditas diferentes é comum a todos nós. O que pode acontecer é que nos obrigamos a olhar, e nos acostumamos. Seja pelo amor aos nossos filhos, seja pela convivência tolerante com algum colega, seja pelo respeito às individualidades de cada ser humano, seja pelo espaço que também é do casal de lésbicas na mesa do restaurante. Cada um sofreu e sofre as delícias e amarguras de uma sociedade que cada vez mais convive com a diversidade. Cada um a seu tempo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Não sei ainda como fazer para esse blog dar certo. Bom, mas o que seria dar certo nesse caso, é que eu queria que ele fosse LIDO, e além disso eu queria poder AJUDAR quem lê. Minha vontade é atingir os jovens que sofrem com a discriminação, os adolescentes no início do processo de aceitação da própria sexualidade. Como fazer isso? Comecei a pensar e lembrei de um amigo que entende HORRORES de internet. Conversei com ele e peguei algumas dicas.. é que com esse tal de google, hoje as pessoas acessam e procuram tudo nesse talzinho. Aí, eu vou precisar de ajuda, pra saber de que forma os adolescentes buscam informações na internet e poder nessa hora atingi-los. O que eles digitam para buscar ajuda para si próprios e para os pais e familiares? O que eles procuram na net quando se percebem diferentes dos amigos? Foi essa dica do meu amigo, procurar saber quais são as palavras ou frases que eles digitam para buscar ajuda, quando na frente da tela do computador se encontram, no seu mundinho, sem saber para onde ir. Sou gay e agora? Estou apaixonada por uma amiga, o que faço? Sou lésbica, e agora? Me lembro o tanto que eu chorava nessa época, quando não sabia para onde ir e o que fazer, há 20 anos atrás, sem internet para buscar ajuda, sem ter com que conversar e me abrir. Como eu ia dizer assim ó: sou mãe, tenho 14 anos, o pai do meu filho é outra criança, o que faço da minha vida, pois minha mãe não me apoia, só me critica, me prende em casa, só briga com meu pai, minhas amigas são todas maluquetas, na escola sou apontada, a família do meu namorado também é toda virada,... o que faço? Aí, eu paro para pensar no meu filhote quando tinha essa idade e me parte o coração, me dá um aperto no peito.. Pois pensem comigo, ele sofrendo bowling, os amigos xingando de viado, bicha, gayzinho, e como ele ia chegar em casa e contar isso para mim e para o pai dele? Eu ia dizer: e você é filho? Como seria nossa reação? Como ele iria se explicar se o pai e a mãe dele não iriam ouvir com naturalidade, pois não conheciam a homossexualidade, e o que sabiam era o que ouviam por aí, que gay é tudo igual, tem traveco, tem bicha louca, é tudo safadeza? Não sabiamos de nada. Ele contou que era gay quando viu que poderia aguentar o tranco, que estava forte e convicto do que queria. E eu, agora estou lendo e aprendendo sobre a homossexualidade, e também sobre a bissexualidade, sobre o preconceito, sobre sair do armário.. Pensando nisso penso em poder ajudar. Vou aprender e fazer, podem aguardar.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Eu penso que ter tido a oportunidade de educar meus filhos foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. E ainda está sendo. Meu menino e minha menina serão por mim para sempre, ou, melhor, enquanto vivermos. Sinto isso, não precisa ser dito. Quando falam que não se pode ser amigo dos filhos, que pai e mãe devem manter um certo distanciamento e não conversar sobre tudo com os filhos, confesso que sinto uma certa maldade nisso. Coisa de gente que não consegue sentir esse amor espontâneo. Coisa de gente que não se permite, que se esconde, que se justifica o tempo inteiro.

Como não conversar sobre tudo com eles? Amo, apaixono, fico fitando eles sem desgrudar os olhos quando vêm me contar alguma coisa, seja dos namorados, seja dos ficantes, seja dos amigos, da escola, da faculdade, dos professores, simplesmente fico em êxtase por poder ajudar e aconselhar. Quero pegar no colo, cuidar. As vezes penso e converso com amigas e com o marido, que como não tive isso, não tive nem de perto essa proximidade com os meus pais, de alguma forma compenso por eles, agindo como eles não agiram comigo.

Fui criada no grito e com uma barreira intransponível entre mim e minha mãe, entre mim e meu pai. Minha mãe, quando vem ao meu encontro quando chego na casa dela, não me olha nos olhos. Isso me arrasa. Eu já aprendi a perdoa-la, por ela ser assim, justificando que o pai e a mãe dela foram assim com ela e portanto ela não aprendeu. As vezes adianta. As vezes não. Com meu pai também foi assim, com o agravante de minha mãe o ter afastado de mim e dos meus irmãos, pintando ele pra gente como um monstro. Quantas brigas presenciei, vendo meu irmão, um ano mais novo, gritando agarrado as pernas do pai e dizendo não, por favor não vá embora. Hoje sou mais mãe do que filha deles.

As vezes brinco com meus colegas e amigos me perguntando poxa, porque não nasci neta da Lia Luft, ou filha da Guru Marise? Eu faço diferente do que vivi, talvez hoje em dia, pois claro que no início do meu relacionamento, novinha, imatura, influenciada pela minha educação extremamente machista, também briguei na frente deles, também os afastei do pai deles, também fui submissa, também fui uma mãe e esposa mártir e sofredora, que só sabia reclamar. Eu vivi durante anos o modelo herdado da minha avó materna e da minha mãe. Sofri. Custou. Repeti o que era melhor pra mim inúmeras vezes, tentando sem desistir. Interiorizei. Mudei. Tive outras mães pelo caminho da vida. Amigas mães. Tias mães. Marido mãe. Filhos mãe também, e nossa!, todo dia aprendo com eles!

Será que é tão difícil o caminho do coração, esse que usamos todo o dia lá em casa? O caminho do meu é meio tortuoso, meio teimoso querendo se desviar e com algumas pedras rancorosas. Uma dificuldaaade para aceitar um pedido de desculpas? O do maridão é uma serra ensaboada, um tobogã, mas que tem uma porta de madeira, com algumas coisas que entalharam nela e meio pesada pra empurrar. O dos filhotes acaba pegando um pouco do jeitão da gente de tanto passar por esses dois caminhos. Mas estão em obras, moldando com seus operários, e tratando de cuidar do deles. Sabe que nossas obras de reparos começaram há um tempo também? Complicado, mas não impossível. E os filhotes estão sabendo ser pacientes e vibram (embora não divulguem) com cada pedacinho reparado dos caminhos. Contrataram umas equipes boas pra ajudar.

Já disse que amo vocês hoje? Não?! Então, eu te amo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Nesse link está a entrevista de uma das minhas amigas/mães do GPH - Grupo de Pais de Homossexuais, e que eu falei que explicaria o que é. Fundado pela Edith Modesto, quando soube da homossexualidade do próprio filho e ao buscar alguém como ela, não conseguiu encontrar, por isso resolveu fundar esse grupo.

Quando meu filho me contou que é gay, sofri, chorei, fiz mil perguntas a ele do tipo "tem certeza filho, não é só uma fase?", "mas você sabe porque aconteceu isso, será que é culpa minha, será que é culpa do seu pai?", mas somente por poucos dias, graças a meu histórico de vida. No dia seguinte, e nessa hora eu tenho certeza de que conhecemos pessoas ao longo das nossas vidas porque precisaremos delas em nossa caminhada, liguei para um casal, que são dois meninos maravilhosos vivendo um relacionamento de mais de 10 anos e que conhececíamos a pouco mais de um ano, e contei pra eles. Eles me receberam em sua casa, me acolheram, e o que ouvi foi "... seja bem-vinda! Você verá que nossa classe é maravilhososa, levamos tudo numa boa, com bastante alegria". A ajuda deles foi fundamental, pois eu tinha muito medo de contar para o meu marido e nessa hora eles me tranquilizavam duvidando que meu marido pudesse agredir de alguma forma nosso filho. Passou uma, duas semanas. Trocávamos depoimentos pelo orkut, eu frequentava o estabelecimento comercial deles, eles me emprestaram livros e panfletos explicativos, tudo escondido. Aqui cabe um parênteses: meu filho e minha filha de 13 anos foram maravilhosos, sempre muito unidos, tiveram uma paciência incrível comigo ouvindo meus choramingos e me ajudando a entender toda essa reviravolta nas nossas vidas (amo muito vocês dois, mas saber que vocês sabem e sentem isso é o mais legal disso tudo!). Acabei descendo ao fundo de um poço depois de 20 dias, quando contei para o pai deles. Sofri muito junto e chorava, mal conseguia trabalhar, preocupada com esse pai que como eu não foi educado para ter um filho gay. Jamais saberíamos lidar com isso sozinhos.

E foi buscando ajuda para poder apoiar meu marido que encontrei o GPH. O GPH é uma ONG que tem o grupo presencial e também um grupo fechado no Yahoo, onde as mães escrevem e todas lêem e comentam. Fui recebida de braços abertos, por muitas mães com respostas de carinho, com casos parecidos, outras em situações bem mais complicadas. Edith, que também é autora de dois livros que ajudam muito os pais no processo da aceitação de ter um filho diferente: "Vidas em Arco-Íris" e "Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais", tem uma vasta experiência com mães, pais e filhos e com um jeitinho todo especial consegue contribuir sempre no processo de aceitação de tantas famílias.

Obrigada mães queridas por tudo o que aprendi com vocês! Maravilhosas!


Maravilhosa essa propaganda, pois ajuda na desconstrução do preconceito. O que você acha?

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Ter um filho gay é mesmo estranho. Eu já levava a vida de certa forma analisando tudo, por conta de ter feito 2 anos de terapia, mas depois daquela noite de quinta-feira tudo mudou. Terei que falar sobre isso anonimamente, pelo simples fato de que preciso esperar meu marido aceitar que temos um filho gay. Mas na noite de quinta-feira, dia 29 de maio de 2008, eu, no mínimo, parei e passei a pensar no que realmente importa nessa vida. Eu sou uma pessoa melhor desde esse dia. É estranho ter que conviver com essa realidade. Mas eu sou uma pessoa melhor porque tenho um filho gay. Vou explicar para quem não sabe. Mas com um parênteses. Vou explicar da forma que entendo. Vou explicar como explico para as minhas amigas. Vou explicar para eu poder entender e interiorizar, diminuindo inclusive o meu preconceito e contribuindo com a minha aceitação desse fato. A homossexualidade sempre existiu. Como diz uma das minhas "gurus" do GPH (depois eu explico o que é o GPH) era um mundo paralelo, que existia ao meu lado mas que eu não enxergava. Meu filho é gay. A filha dessa minha "guru" é lésbica. Tem mãe que tem um filho bissexual. Tem mãe que tem um filho travesti. Existem pessoas que são transexuais. Além deles têm os intersexuais (denominação que coloca em desuso o termo "hermafrodita"). Daí vem a sigla GLBTT. Mas depois eu explico melhor tudo isso. Já disse que sou uma pessoa melhor. Isso é a minha vida. Ser uma intrépida mãe é o meu destino desde que aos 13 anos fiquei grávida desse meu menino, que há quase um ano me disse mãe eu fiquei com um menino, estou gostando dele, e a gente está namorando. Muita coisa já vivi e encarei de frente. Confesso que muitas vezes sem pensar muito pelo simples fato de que não podia parar para pensar. Não tinha como fazer isso. A vida me cobrava, jogava os desafios na minha cara dizendo vai e faz acontecer. E assim foi. E assim está sendo. E assim para sempre vai ser. Às vezes brinco com as minhas amigas e amigos que eu gostaria de ser uma "Patty fútil" que não precisa se preocupar com mais nada a não ser ir no salão de beleza, na academia, no shopping, curtindo a vida numa boa. Para mim isso é impossível. Alguma coisa dentro de mim faz com que eu queira fazer a diferença na vida de quem me cerca, pois é muito forte o meu lado mãe. Estou sempre querendo ajudar, mesmo que não me peçam. Por vezes crio desafetos momentâneos por falar demais, me intrometer demais, por ficar fazendo analogias ilustrativas que façam pensar, com o objetivo de desconstruir preconceitos. Faço isso para os meus filhos e pelos meus filhos. Faço isso porque quero viver num mundo melhor, mais justo, mais tolerante, com mais amor. Se foi o fato de que tenho um filho gay e que sofre com a discriminação que me fez parar para pensar, refletir, mudar, isso não importa. Dar o primeiro passo é meu início dessa caminhada eterna. Quero continuar crescendo, apreendendo e ajudando.